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Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Sempre achei que a preguiça era o meu pecado mortal para não fazer exercício todos os dias. Ou 3 vezes por semana. Mensalmente, vá, mas descobri agora que é tudo uma questão de moda. Fazer exercício eu até gosto, trocar de roupa é que não. A não ser que me ajudem.

De manhã, exercício é sair da cama e trabalhar. Aplaudo quem acorda para se mexer mais do que o estritamente necessário, mas não é para mim. De bebé a adolescente, fui habituado ao exercício a partir das 18h e gosto de manter essa rotina. Mesmo que seja só de vez em quando. Muito de vez em quando.

Acordo, dispo o pijama, tomo banho, visto uma roupa, vou trabalhar, vivo um bocadinho até vestir o pijama para ir dormir. São 2 trocas de roupa que, se incluísse treino, se transformavam em 4. Há pessoas, loucas, que até trocam de roupa quando chegam a casa, para um pré-pijama, mesmo que depois durmam nuas. Gostava, mas não tenho esse tipo de dedicação, nem energia, para mais uma troca de roupa.

Claro que eu podia simplificar e vestir logo uma roupa de treino para o dia todo, mas não me parece muito higiénico, nem estético. E o meu tipo de treino é nadar numa piscina, por isso, andar de licra o dia todo também não me seduz assim tanto. Eu não nado de sunga, mas os calções que visto, até ao joelho, também apertam muito algumas zonas do corpo. Às vezes até as desenham como se fossem uma escultura em andamento.

Cheirar cloro deixa-me feliz, estar na água também, e mesmo assim é a troca de roupa que me impede a felicidade. Fazer natação requer nudez completa no balneário. Fugaz, mas completa. E, para mim, que não quero tocar com as nádegas no banco que já conhece tantas, vestir e despir é um ato de equilibrio sobrenatural, digno de uma acrobata olímpica.

Tudo é feito com os pés em cima dos ténis, ou dos chinelos. E é claro que eu me podia ajudar se levasse uma toalha só para os pés. Eu que tenho o equilibrio de uma bola e até sentado me desequilibro. Mas não, só levo a toalha do banho e levo de casa porque é um desperdício de água para o ginásio, e para o mundo, lavar toalhas que são lavadas assim que vêem um rabinho.

Andam a lavar toalhas de rabo em rabo e, pensando bem, até é boa ideia tendo em conta a energia com que muitos homens esfregam o rêgo com a toalha entre as pernas. Não deixei de comer carne para que todos os litros de água que se poupam a não fazer bifes para mim sejam utilizados a lavar toalhas de rabos que não são o meu.

Até consigo tirar o balneário da equação para treinar em casa, mas falta-me uma piscina. A minha maior ambição agora é ter uma casa com piscina. Ou piscina no condomínio. E mesmo assim, não garanto que abandone o meu sedentarismo estético.

É provável que eu não seja um atleta de alta competição apenas por me aborrecer na obrigação de trocar de roupa. É também por isso que não sou modelo. Vestir e despir até é giro, mas só no meu quarto.

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