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Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Ser espontâneo nas decisões é a minha característica. Por espontâneo, leia-se “pessoa com pouco compromisso que não sabe fazer planos”. Ambas verdade, até porque eu tenho a sorte de nunca me terem perguntado o cliché de tantas entrevistas de emprego, “onde se vê daqui a 5 anos?” Eu nem consigo fazer uma mochila de viagem para 3 dias, quanto mais planear anos?

Esqueci-me do computador e escrever no telemóvel não tem o mesmo encanto. Pode-se argumentar que o verdadeiro apaixonado é quem escreve a papel e caneta, ou até numa máquina de escrever, mas isso é desperdício de árvores e eu não sou assim tão antigo.

Aliás, até escrevo a papel e caneta, poemas e cartas carinhosas. Nesse caso, deixo a sustentabilidade de lado pelo amor que quero entregar a alguém. Enquanto aqui, nestas crónicas, é mais uma questão de masturbação que só mostro depois de me realizar. Curiosamente, também aqui nem sempre tenho um orgasmo.

Hoje era um bom dia para escrever sobre amor, paixão e desgosto. Para escrever de coração cheio ou partido, tudo o que se sente. Mas como me sinto vazio, fugiram-me os dedos para o sexo literário. E foi assim que nasceu esta crónica, que devia ter sido publicada na segunda-feira, às oito da manhã, tal como todas as outras 28.

Na verdade, eu não me esqueci do computador. Eu fiz a mochila para viajar e, ao fechá-la, olhei para ele e ouvi “podes tentar enfiá-lo todo cá dentro, mas acho que ficas com a pontinha de fora ou vais-me rasgar”. Nesta frase, a minha mochila de viagem é um ser que também sente prazer. Ou dor. Não sei, porque não enfiei lá mais nada.

Se eu podia ter trocado para uma mochila maior? Claro que sim, mas eram quatro da manhã e já só ia dormir uma hora e meia até ter a boleia à porta. Se eu acreditava que ia encontrar alguém que me emprestasse um computador para poder escrever tudo no domingo? Também. E até encontrei. E emprestaram-me. Mas as teclas eram diferentes e, por muito que os meus dedos se esforçassem, o orgasmo era difícil de atingir em teclado alheio.

Se eu estou a escrever sempre mochila para não fazer um trocadilho brejeiro? Claro que sim, até porque tudo isto se resolvia se eu quisesse uma mala grande. 

Já fui, já voltei. E estou a escrever agora porque não quero levar o computador para a próxima viagem que tenho daqui a seis horas. A mala ainda não está feita. A mochila também não, mas o computador fica cá. Tal como na outra viagem, há esperança dos meus dedos se envolverem por outros caminhos. Literários, claro.

Hoje continua a ser um bom dia para escrever sobre amor e escrever é o meu. Até tenho outro, mas não me fica bem expô-lo aqui. Mesmo depois de ser infiel a este meu amor, sei que vou dar tudo para a relação ser duradoura e, tal como muitos casais, sei que hoje não vai ser o dia em que os meus dedos me vão orgulhar mais, mas também não me deixaram ficar mal.

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