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Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Fala-se pouco de um tema tão silencioso. Sobre a inconveniência do que fazer quando uma se faz à pista. Evitar é opção, mas nem sempre está disponível. Aliás, quase nunca. Evitar pode aumentar o risco à próxima que se aproxime. (É provável que esgote o meu stock de metáforas nesta crónica.) Seja em família ou no escritório, se há bufa a caminho, também o dono dela se deve pôr a andar para um lugar seguro. Finge uma ida à casa de banho ou vai à rua. Se for tímido, (...)
O despertador cria rotinas, mesmo que toque todos os dias a minutos diferentes. Em princípio, a hora é sempre a mesma. Pode falar-se que o despertador “desperta a dor”, mas só para quem se deita com ela e não a tem enquanto dorme. Prefiro ver o despertador como algo que “desperta a vida”. Meio metafísico, eu sei, mas só quem morre é que não acorda. Curiosamente, o som do despertador também pode dar vontade de matar alguém. Pormenor que gosto: quando se configura o (...)
Tenho teorias linguísticas pensadas, outras saem à pressão. São como cerveja, tenho uma para todos os desgostos. Muitas delas são baseadas em preguiça mental, semelhante à preguiça que me tem atrasado a mim a escrever as crónicas que gosto de publicar às segundas-feiras, às 8h da manhã. É uma forma gira de começar a semana, de ver alegria no dia que tanta gente odeia. Eu gosto. E não é por ser do contra, mas também não sei porque é que é. E depois deste chouriço mal (...)
Sonho com a vida na cidade que nunca tive. Imagino uma rotina sem carro e quase exclusivamente de metro e autocarro, um ou outro comboio, e talvez até uma bicicleta. Esta última parte é mentira. Com ou sem carro, continuava a ser meio sedentário. Tenho vida na cidade. Casa é que não. Pormenor que rouba todo este imaginário. Nasci, cresci e vivo no subúrbio, onde impera a vontade de tirar a carta e ter carro ainda na adolescência para dar os primeiros passos privilegiados de (...)
Conforto é algo que se procura num sofá, literalmente ou não. Conforto é procurar pelo que se gosta, de sentir, de fazer, de comer. Principalmente de comer e é por isso que comida de conforto é um tema tão aconchegante. Quando comecei a cozinhar, rapidamente percebi que tinha um prato preferido de fazer. Não era necessariamente o mais saudável, nem o mais apurado, nem o mais saboroso. Era um prato que me enchia de felicidade muito antes de me roubar a fome. Tinha 16 anos e já (...)
Gosto de ver futebol e filmes da mesma forma, sozinho em casa. Há excepções, claro, para amigos, amores e família, mas em todas elas há muito mais que apenas “ver o filme”, ou o jogo, mas só tenho conclusões para a primeira opção. “Ver o filme” com aspas, mas não pelas razões habituais. Não há segundas intenções no meu sofá. As aspas é para representar a impossibilidade de ir ao cinema e apreciar a arte na tela. E não, as aspas também não são para segundas (...)
É uma das poucas coisas que aumenta o meu sedentarismo em casa. Só de pensar em sair, apenas e só, para levar o lixo dá-me sono instantâneo. E nunca vou. Amanhã é outro dia e sei que é sempre uma questão de horas até sair outra vez para “aproveitar a viagem”. É talvez uma das características que mais valorizo numa casa. Numa futura. Quero daquelas condutas que é só abrir uma gaveta e deixar ir. É provável que vá perder várias coisas pelo caminho. Enganar-me é só (...)
Não seria grande sinopse escrever apenas as 3 frases que deram início a uma quarta-feira diferente. Três frases em três segundos. Uma conversa a dois que não fez sentido nenhum. Dois amigos em Lisboa. Uma imperial aqui, um jantar ali e estava na hora de ir até ao carro que ficou estacionado num descampado na periferia da capital. Sim, porque pagar EMEL é um luxo quase tão raro como marisco ao almoço. Os 7% de bateria foram suficientes para chamar uma boleia paga que nos deixou (...)
Acabei agora de ler uma carta antiga. De agosto. De 2023. Antiga na rotina que foi destruída. Antiga porque a vida já não existe para textos em envelopes. Receber uma carta já causa estranheza. “Só me escrevem para pagar alguma coisa.” E até os carteiros se esforçam para serem os melhores amigos das compras online. Para o possível desespero deles, continuo a enviar cartas. E a recebê-las. Daqui para o Reino Unido e de volta aqui. Chateio carteiros de várias nacionalidades, (...)