Sou copywriter a tempo inteiro, criativo nos tempos livres. É por isso que as férias, para mim, são um conceito diferente. Não há relaxamento puro quando a mente idiota não se cansa e o descanso só a ativa ainda mais. Já fui de férias com o objetivo de “não fazer mesmo nada” e acabei a coçar-me e a regressar com mais ideias que tempo para as fazer. A ressacar pela criatividade.
Como se fosse um operário fabril ou um educador de infância, faço férias em agosto de forma (...)
hora de ir embora de volta à base o que se adora não é uma fase
é só um lugar um ponto no mapa à volta do mar sem ser o dos Napa
é minha e tua onde te vi nua despida de alma
dançamos com calma de ano em ano até ser verano
Fim.
de tios e primos são todos herdeiros não vou ser dos últimos nem sou dos primeiros
é amor e mar muitas brincadeiras queremos estar aqui e nas beiras
à hora marcada numa coordenada lá estamos nós todos
na falta de areia a melhor ideia é mudar de modos
que bom é sentir um vento fresquinho para conseguir dormir com jeitinho
calor que aborrece não me deixa ir tanto me aquece nem posso dormir
igualzinho a ti quando me abraças nunca me maças
o que eu senti não é muito chato a dormir sou nato
primeiro por dentro só depois por fora e nem vai ao centro mergulho na hora
vens à minha frente p'ra ver o luar e a estrela cadente que está a chegar
não peço desejo e quando te vejo já andas no mar
deitado na areia bem preso à ideia de me querer molhar
como vou dormir com tanto calor eu não sei fingir nem fazer amor
deito-me de lado e ajeito o lençol fico bem esticado à espera do sol
mais ou menos voltas não sei se te soltas dos sonhos que sonho
não quero ser dono das noites de sono onde só eu te ponho
isto é sobre elas as ondas do mar enrolo-me nelas com jeitos de amar
a ondulação não me mete medo só fujo do cão se for muito cedo
não sei se as apanho ou elas a mim mas já não me acanho
é como nós copos só digo que sim quando tenho trocos
perdi a conta às paixões nesta ilha infinitas nem partia corações destas pessoas bonitas
o meu mundo é platónico feito de histórias mentais quem me dera ser icónico p'ra viver paixões reais
perdi o melhor momento aquele apaixonamento por chegar comprometido
amor de verão banal também nunca me fez mal por não ser correspondido
já não sei quantas são as imperiais eu e tu à tantas é amor a mais
é um amor certo em qualquer cidade num lugar incerto tudo é Alvalade
um beijo por golo até ficar tolo e querer casar
barriga de golos ou fome de bolos eu quero é ganhar
aquela mochila verde sou tão eu só pela cor ia-me roubando amor e o primeiro não se perde
o que tinha combinado já tão pouco me lembrava enquanto me aproximava e te queria ao meu lado
tão intenso e tão bom dançámos no mesmo som sem saber qual era o dia
fim das férias, fim do mundo um desgosto tão profundo sem dizer-te o que sentia