As crónicas vão continuar. Noutro lugar. Aqui.
Obrigado. A quem lê, a quem leu e quer continuar a ler. Obrigado. A quem comenta muito. A quem comenta pouco. A quem comenta ponto.
Menção honrosa dos comentários para quem me fez sempre sentir acompanhado. Vaguendo, imsilva, Maribel Maia, s o s, leitor improvável, Beatriz Costa, Sandra, Maria Araújo, Maria F., Desconhecido, Anónimo, e outros tantos (...)
Fala-se pouco de um tema tão silencioso. Sobre a inconveniência do que fazer quando uma se faz à pista. Evitar é opção, mas nem sempre está disponível. Aliás, quase nunca. Evitar pode aumentar o risco à próxima que se aproxime. (É provável que esgote o meu stock de metáforas nesta crónica.)
Seja em família ou no escritório, se há bufa a caminho, também o dono dela se deve pôr a andar para um lugar seguro. Finge uma ida à casa de banho ou vai à rua. Se for tímido, (...)
Podia ser o caso de mais uma expressão popular que envelheceu mal, mas não. Aqui, quem evoluiu mal fomos nós, pessoas demasiado humanas e vulneráveis, sem espaço para assumir culpas de nada, prontas a culpar tudo e todos, até nas nas coisas mais mundanas possíveis. Já não há enganos nem distrações, só doenças.
A dislexia, a ansiedade, o défice de atenção e a transtorno obsessivo-compulsivo nunca tiveram tantos fãs. Nem tantos diagnósticos. E ainda bem. São doenças (...)
Airbus tem uma grandiosidade que se despenha assim que se traduz. Air de ar e bus de autocarro, que é como quem diz “autocarro do ar”. E, feliz e infelizmente, os comportamentos são os mesmos. Só se distinguem por ser mais difícil andar à pica num que noutro.
Andar de avião já foi um luxo que eu nunca conheci. Onde se bebia whisky e se fumava charuto. Hoje, é só mais um transporte para destinos mais longínquos, mas com todas as semelhanças dos mais convencionais transportes (...)
Um mês. Não escrevo há um mês. Parei sem querer, por falta de material físico e emocional. Achei, feito parvo, que parar até voltar a ter o meu computador era um sinal do mercúrio moderno. Apesar do retrógrado ser aquele que estraga coisas eletrónicas, tal como estragou o meu computador.
Há sensivelmente um mês, o meu computador ficou sensível e não mais ligou. Estava coberto pelo seguro e reportei o sinistro. Ou seja, tinha seguro a ativei-o. Vieram buscá-lo e levaram-no (...)
Interesso-me pelo desinteressante, e é isso que mais me interessa. Fascino-me pelo que não compreendo e este é só mais um desses casos: interruptores multifunções, aqueles dois em um que acendem a luz e ligam ventoinha num só movimento. Porquê?
Casas de banho com apenas um interruptor já são uma miragem. Há sempre um para a luz e outro para a ventoinha. Às vezes são dois, um para a luz e outro que dá uma luz diferente com barulhos de ventoinha. Também há com três, mas (...)
Não sei quando começou esta história de amor esquecido, mas se o Deixem o Pimba em Paz faz 12 anos, é porque me devo ter apaixonado à primeira vista no primeiro ano de vida. E tudo aconteceu por ser uma pessoa incontinente a dizer que sim a planos. E às vezes também fico com um pingo de entusiasmo na cueca.
Conheci este projeto musical sem querer. Por ter dito que sim a um convite sem saber ao que ia. Mas quando se quer impressionar os amigos da namorada… provavelmente nem queria (...)
Eu dou-me bem com as horas. Mesmo as que passam a voar. Mesmo as que custam a passar. Já com horários, não me entendo. É por isso que quando vou viajar, existe uma preocupação à minha volta sobre se volto. Dizer que perdi qualquer coisa nunca surpreendeu ninguém. Fosse um lápis na escola ou um voo para qualquer lado.
Voos ainda não perdi, por sorte. E foi num dos últimos que consegui, com a ajuda da minha prima que é igual a mim, transformar uma viagem de 1h30 em quase 6h. (...)
Depósitos a prazo já não rendem quase nada. Nem mesmo para contas bem recheadas. Estão tal e qual o meu cérebro: cheio de pensamentos que me rendem poucochinho. Nem as contas, nem o que penso, já nada tenho a prazo.
Não quer isto dizer que pense rumo ao infinito, apesar das infinitas coisas que penso. Seria mais justo falar que penso em micro prazo. Sou um jogador de futebol sem bola. Jogo a jogo, jola a jola.
Beber uma imperial a mais, ou treze, é pensar a micro prazo. É (...)
Dizem que vivemos depressa demais, que o tempo não pára e é muito mais rápido hoje do que era no tempo dos nossos avós. Talvez seja verdade. O que não faltam são pessoas que ainda mal começaram a procriar mas já se orgulham de acumular mais doenças que os outros. Tal como uma verdadeira avó.
Eu também tenho doenças. Ainda por cima verdadeiras. Mas nenhuma delas foi trend, nem vai ser. São raras e pouco fáceis de imitar. Ao contrário de todas as outras que ao mesmo tempo (...)