As crónicas vão continuar. Noutro lugar. Aqui.
Obrigado. A quem lê, a quem leu e quer continuar a ler. Obrigado. A quem comenta muito. A quem comenta pouco. A quem comenta ponto.
Menção honrosa dos comentários para quem me fez sempre sentir acompanhado. Vaguendo, imsilva, Maribel Maia, s o s, leitor improvável, Beatriz Costa, Sandra, Maria Araújo, Maria F., Desconhecido, Anónimo, e outros tantos (...)
Romantizei a morte do meu Pai, com ele, quando vive com muito mais saúde que eu. Romantizei a ideia de um funeral que fosse uma festa tão boa como a vida dele. Romantizo a ideia de que vai ficar tudo tranquilamente diferente, mas não vai. Eu sei lá o que na verdade nem quero saber.
Romantizo a morte do meu Pai para disfarçar o pânico que vem com ela, mas romantizo a ideia por ser a ordem natural de uma vida em que a minha mãe é muito mais nova. Romantizo por ser uma de amor. O meu (...)
Airbus tem uma grandiosidade que se despenha assim que se traduz. Air de ar e bus de autocarro, que é como quem diz “autocarro do ar”. E, feliz e infelizmente, os comportamentos são os mesmos. Só se distinguem por ser mais difícil andar à pica num que noutro.
Andar de avião já foi um luxo que eu nunca conheci. Onde se bebia whisky e se fumava charuto. Hoje, é só mais um transporte para destinos mais longínquos, mas com todas as semelhanças dos mais convencionais transportes (...)
Tenho teorias linguísticas pensadas, outras saem à pressão. São como cerveja, tenho uma para todos os desgostos. Muitas delas são baseadas em preguiça mental, semelhante à preguiça que me tem atrasado a mim a escrever as crónicas que gosto de publicar às segundas-feiras, às 8h da manhã.
É uma forma gira de começar a semana, de ver alegria no dia que tanta gente odeia. Eu gosto. E não é por ser do contra, mas também não sei porque é que é. E depois deste chouriço mal (...)
Pouco na vida me deixa tão feliz como escolher ficar em casa depois de um período fora. Não vibro entusiasticamente com a energia de quem gosta de aproveitar tudo a toda a hora até ao último suspiro, quando no fundo também é isso que faço. À minha maneira.
Demorei a descobrir o encanto de ficar o último dia de férias em casa, fechado dentro das minhas paredes, a matar as saudades de um sofá que não vai a lado nenhum. Demorei a perceber o prazer de quem se organiza para (...)
Gosto muito de cães. Tanto quanto o medo que tenho deles. Mas há excepções: cães que adoro e com quem brinco, nunca tanto que possam parecer meus. Fobias à parte, eu quero é que os cães sejam felizes, mesmo quando isso implica perder a minha liberdade.
Imagino que este medo seja pouco comum, já que o espanto é quase tão grande como ser português e dizer que não gosto de queijo. Aceita-se melhor que este medo que preferia não ter.
Não interessa se ladra ou não. A cada (...)
Gosto de ver futebol e filmes da mesma forma, sozinho em casa. Há excepções, claro, para amigos, amores e família, mas em todas elas há muito mais que apenas “ver o filme”, ou o jogo, mas só tenho conclusões para a primeira opção.
“Ver o filme” com aspas, mas não pelas razões habituais. Não há segundas intenções no meu sofá. As aspas é para representar a impossibilidade de ir ao cinema e apreciar a arte na tela. E não, as aspas também não são para segundas (...)
Um dia disse que não queria mais amigos, que já tinha tempo a menos para o quanto gosto de cada um. Hoje, vejo ao longe a ignorância gritante dessa minha frase. Acho que acreditava nela. Pelo menos até ser atropelado pelo amor de uma amizade nova.
As amizades não se procuram, acontecem. E mesmo que se procurem, são muito mais aleatórias que premeditadas. É uma espécie de engate inesperado, o oposto do que se quer numa relação amorosa.
Já mudei várias vezes de trabalho, mas (...)
Gosto de esperar por coisas: consultas, autocarros, aviões, pessoas. Gosto de esperar quando sei que é apenas uma questão de minutos. Ou horas. Cada espera é uma oportunidade para me agarrar ao livro que levo comigo. Raramente espero, porque não sou pontual, mas nunca ando sem livro.
A vida é muito acelerada para me deixar parado a ler. É algo que faço com muito gosto, não tanto quanto queria, até porque não sei ler em casa (...)
Gosto de palavras. De dizer. De escrever. Mas há imagens que valem mais que mil palavras, só não sei quanto vale o meu olhar. E por mais óbvio que seja, como te vejo, só não sabes se não quiseres. Eu bem te olho, mas quase sempre de óculos de sol.
Há quem tenha o coração na boca. O meu salta à vista. Não deixo que o sentimento me fuja por entre os dentes, mas tenho sempre as emoções à flor da íris. Seja no que quero dizer, ou no que ouço, sinto muito não reagir tanto (...)