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Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Gosto de palavras. De dizer. De escrever. Mas há imagens que valem mais que mil palavras, só não sei quanto vale o meu olhar. E por mais óbvio que seja, como te vejo, só não sabes se não quiseres. Eu bem te olho, mas quase sempre de óculos de sol. Há quem tenha o coração na boca. O meu salta à vista. Não deixo que o sentimento me fuja por entre os dentes, mas tenho sempre as emoções à flor da íris. Seja no que quero dizer, ou no que ouço, sinto muito não reagir tanto (...)
Esta crónica não é sobre os meus hábitos de leitura na poltrona. Até porque isso só faço em casa. Nem sobre a que escrevo, até porque tenho pouco de javardão em mim para o fazer em azulejo alheio. Contudo, isto podia ser o primeiro capítulo de um livro temático. Lavar as mãos pode parecer uma tarefa inconsciente e leviana, mas tem muito que se lhe diga quando é feita fora de casa. Mesmo que existam todas as condições como água e sabão. E algo para as limpar que não sejam (...)
O título induz tanto em erro como eu quando digo que vou chegar a horas. Sejam elas quais forem. Até mesmo quando sou eu que as defino. Ser “pontualmente otimista” pode querer parecer que só sou otimista às vezes, mas não. Eu acordo quase sempre otimista, a sorrir e em silêncio. E é esta felicidade que me afasta de ser pontual. Eu não sou o otimista que vê o copo meio cheio. Eu vejo copos a transbordar, tal é o sentimento de felicidade que ser otimista me traz. Excepto na (...)
Não sei se alguém me perguntou isto. Costumo estar distraído. Mas já me fizeram parecido, “és peixes, não és? Nota-se”. E eu nem tinha vindo da piscina. Nunca me senti filho único. Pelo menos nos estereótipos típicos do que é ser filho único. Se calhar, é por ter irmãos. Mas é muito provável que não seja, até porque seria informação falsa. Eu nem tenho o hábito de tratar pessoas por “mano” ou “mana”. E provavelmente também não está relacionado. Eu tenho (...)
Nunca entendi a pressa de sair mais cedo de sítios, excepto na escola e na faculdade. O que explica o porquê de hoje estar onde estou. Andava a fugir de mais conhecimento e inteligência? Talvez. Nunca saberemos. Mas sair mais cedo de concertos ou jogos de futebol? Não faz sentido. Para mim. O meu primeiro concerto na vida foi no Pavilhão Atlântico, em 2000. Tinha 9 anos e, tal como agora, não sei tocar nada nem cantar, mas o Rui Veloso era mestre nisso. Afinal, ainda há primeiras vezes (...)
Escrever com e sobre défice de atenção é um prazer que me distrai. Escrevo isto sentado no sofá, depois de duas horas com o portátil ao colo, sentado a “ver televisão”. Normalmente, começo a escrever quando me dói o cóccix. Só para mudar o rabo de sítio. Nunca na minha vida tinha escrito cóccix. Tive de ir ao priberam só para confirmar. É uma palavra bonita na boca e esquisita aqui. Já esta frase, é esquisita na boca e aqui. Continuando, escrever uma crónica e (...)
“Sempre tive o bichinho…” é uma frase muito ouvida nas artes e na comunicação. Parece que todos nasceram com uma missão de vida que estão a concretizar. É fruta da época em todos os talent shows, mas não só. E quanto mais ouço, mais sei que não tenho bichinho nenhum. Esta crónica pode ser muito falsamente egocêntrica. Espero eu. Não sinto que seja, mas vou parecer. Tudo para tentar explicar o meu ponto de vista. Explicar a mim próprio, porque é a escrever que me (...)
Acabei agora de ler uma carta antiga. De agosto. De 2023. Antiga na rotina que foi destruída. Antiga porque a vida já não existe para textos em envelopes. Receber uma carta já causa estranheza. “Só me escrevem para pagar alguma coisa.” E até os carteiros se esforçam para serem os melhores amigos das compras online. Para o possível desespero deles, continuo a enviar cartas. E a recebê-las. Daqui para o Reino Unido e de volta aqui. Chateio carteiros de várias nacionalidades, (...)
É possível que te tenhas enganado a ler o título. Sobre amizades e negócios, não tenho nada a dizer. Amigos até tenho, negócios não. Falta-me dinheiro para estragar uma amizade, ainda que, na teoria, eu queira ter um bar da praia com amigos. Mais por uma reforma divertida do que pelo “lucro” em si. Mas a expressão original não deixa de ser curiosa. Pelo menos para mim que perco muito tempo com coisas insignificantes. Que amizades é que não se levam para os negócios? São (...)
Ser vegetariano e apaixonado por pizza não é fácil, especialmente depois de ler qualquer menu. Ser vegetariano é um exagero, quando vou petiscando peixe e carne aqui e ali, mas tento evitar com gosto. E é na escolha de uma pizza que esta opção alimentar mais me dificulta a dieta. Chamar a isto “dificuldade” é uma hipérbole em esteróides, mas vamos acreditar que sim. É provável que com pizza 3x por semana. Talvez não seja uma boa opção nutricional, mas isso é o menos (...)