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Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Fala-se pouco de um tema tão silencioso. Sobre a inconveniência do que fazer quando uma se faz à pista. Evitar é opção, mas nem sempre está disponível. Aliás, quase nunca. Evitar pode aumentar o risco à próxima que se aproxime. (É provável que esgote o meu stock de metáforas nesta crónica.) Seja em família ou no escritório, se há bufa a caminho, também o dono dela se deve pôr a andar para um lugar seguro. Finge uma ida à casa de banho ou vai à rua. Se for tímido, (...)
12 Nov, 2025

O meu Pai

Romantizei a morte do meu Pai, com ele, quando vive com muito mais saúde que eu. Romantizei a ideia de um funeral que fosse uma festa tão boa como a vida dele. Romantizo a ideia de que vai ficar tudo tranquilamente diferente, mas não vai. Eu sei lá o que na verdade nem quero saber. Romantizo a morte do meu Pai para disfarçar o pânico que vem com ela, mas romantizo a ideia por ser a ordem natural de uma vida em que a minha mãe é muito mais nova. Romantizo por ser uma de amor. O meu (...)
22 Set, 2025

Amor nas despedidas

Há quem ame o trabalho e quem ame no trabalho. Provavelmente, ambos na secretária, mas não é só nisto que o trabalho e as relações amorosas são parecidas. Isto foi só uma pequena introdução por onde esses mundos se misturam. Literalmente. “Enviei um currículo” é só uma forma formal de dizer que se quer engatar profissionalmente. Não enquanto gigolô, nem engatar novos colegas. Aqui, é um engate metafísico, é engatar a firma, seduzi-la aos nossos encantos. É claro (...)
Interesso-me pelo desinteressante, e é isso que mais me interessa. Fascino-me pelo que não compreendo e este é só mais um desses casos: interruptores multifunções, aqueles dois em um que acendem a luz e ligam ventoinha num só movimento. Porquê? Casas de banho com apenas um interruptor já são uma miragem. Há sempre um para a luz e outro para a ventoinha. Às vezes são dois, um para a luz e outro que dá uma luz diferente com barulhos de ventoinha. Também há com três, mas (...)
Não sei quando começou esta história de amor esquecido, mas se o Deixem o Pimba em Paz faz 12 anos, é porque me devo ter apaixonado à primeira vista no primeiro ano de vida. E tudo aconteceu por ser uma pessoa incontinente a dizer que sim a planos. E às vezes também fico com um pingo de entusiasmo na cueca. Conheci este projeto musical sem querer. Por ter dito que sim a um convite sem saber ao que ia. Mas quando se quer impressionar os amigos da namorada… provavelmente nem queria (...)
Eu dou-me bem com as horas. Mesmo as que passam a voar. Mesmo as que custam a passar. Já com horários, não me entendo. É por isso que quando vou viajar, existe uma preocupação à minha volta sobre se volto. Dizer que perdi qualquer coisa nunca surpreendeu ninguém. Fosse um lápis na escola ou um voo para qualquer lado. Voos ainda não perdi, por sorte. E foi num dos últimos que consegui, com a ajuda da minha prima que é igual a mim, transformar uma viagem de 1h30 em quase 6h. (...)
Depósitos a prazo já não rendem quase nada. Nem mesmo para contas bem recheadas. Estão tal e qual o meu cérebro: cheio de pensamentos que me rendem poucochinho. Nem as contas, nem o que penso, já nada tenho a prazo. Não quer isto dizer que pense rumo ao infinito, apesar das infinitas coisas que penso. Seria mais justo falar que penso em micro prazo. Sou um jogador de futebol sem bola. Jogo a jogo, jola a jola. Beber uma imperial a mais, ou treze, é pensar a micro prazo. É (...)
Dizem que vivemos depressa demais, que o tempo não pára e é muito mais rápido hoje do que era no tempo dos nossos avós. Talvez seja verdade. O que não faltam são pessoas que ainda mal começaram a procriar mas já se orgulham de acumular mais doenças que os outros. Tal como uma verdadeira avó. Eu também tenho doenças. Ainda por cima verdadeiras. Mas nenhuma delas foi trend, nem vai ser. São raras e pouco fáceis de imitar. Ao contrário de todas as outras que ao mesmo tempo (...)
“Não assobies à noite. Isso chama as cobras.” E é por isso que eu não o faço. Não quero que as cobras achem que eu as chamo, nem que venham atrás de mim. Também não quero saber se é só mito ou verdade, mas lembro-me sempre dela quando assobio e páro no segundo a seguir. Mesmo que seja de dia. Talvez a minha avó tenha inventado isto só por não gostar do barulho. Se foi esta razão, respeito para toda a vida. Inventar mitos, destes inofensivas, pode ser o meu próximo hobbie (...)
Poucos são os dias em que as rotinas são tantas e tão diferentes. Para quem trabalha das 9h às 18h, de segunda à sexta, o domingo é o dia em que podemos experimentar como é a vida de um nómada digital em Portugal. Com carteira de português. Eu sou desse rebanho que tenta ser útil 5 dias por semana, útil a quem me paga para o ser. Também paga quando não sou. É uma relação esquisita, uma cena capitalista. Não é uma questão de fé, mas trabalho todos os dias como quem vai (...)