Romantizei a morte do meu Pai, com ele, quando vive com muito mais saúde que eu. Romantizei a ideia de um funeral que fosse uma festa tão boa como a vida dele. Romantizo a ideia de que vai ficar tudo tranquilamente diferente, mas não vai. Eu sei lá o que na verdade nem quero saber.
Romantizo a morte do meu Pai para disfarçar o pânico que vem com ela, mas romantizo a ideia por ser a ordem natural de uma vida em que a minha mãe é muito mais nova. Romantizo por ser uma de amor. O meu (...)
Há quem ame o trabalho e quem ame no trabalho. Provavelmente, ambos na secretária, mas não é só nisto que o trabalho e as relações amorosas são parecidas. Isto foi só uma pequena introdução por onde esses mundos se misturam. Literalmente.
“Enviei um currículo” é só uma forma formal de dizer que se quer engatar profissionalmente. Não enquanto gigolô, nem engatar novos colegas. Aqui, é um engate metafísico, é engatar a firma, seduzi-la aos nossos encantos. É claro (...)
hora de ir embora de volta à base o que se adora não é uma fase
é só um lugar um ponto no mapa à volta do mar sem ser o dos Napa
é minha e tua onde te vi nua despida de alma
dançamos com calma de ano em ano até ser verano
Fim.
de tios e primos são todos herdeiros não vou ser dos últimos nem sou dos primeiros
é amor e mar muitas brincadeiras queremos estar aqui e nas beiras
à hora marcada numa coordenada lá estamos nós todos
na falta de areia a melhor ideia é mudar de modos
como vou dormir com tanto calor eu não sei fingir nem fazer amor
deito-me de lado e ajeito o lençol fico bem esticado à espera do sol
mais ou menos voltas não sei se te soltas dos sonhos que sonho
não quero ser dono das noites de sono onde só eu te ponho
perdi a conta às paixões nesta ilha infinitas nem partia corações destas pessoas bonitas
o meu mundo é platónico feito de histórias mentais quem me dera ser icónico p'ra viver paixões reais
perdi o melhor momento aquele apaixonamento por chegar comprometido
amor de verão banal também nunca me fez mal por não ser correspondido
Fazer anos é uma festa, sim, mas será que é assim tão importante para merecer os “parabéns”? Celebrar o aniversário é das minhas coisas preferidas. Receber mensagens e telefonemas de quem gosto também. É como se fosse um funeral, mas comigo vivo, e vivo feliz sem ouvir o “parabéns a você” há.3 anos.
Fui ao dicionário. Ao Priberam. Esta crónica teria outro encanto se tivesse mesmo aberto um dicionário, de papel, mas não tenho nenhum em casa. Talvez seja útil para (...)
É certo e sabido que as dating apps são feitas maioritariamente para os homens gastarem dinheiro e terem a parte premium que traz opções infinitas. Mas também para aumentar e fragilizar o ego, mas também para trocar mensagens com desconhecidos que nunca vamos conhecer.
Vá, de quando em vez até se tem um convívio que começou no mundo digital, mas isso pouco importa para a vida dentro da app. Neste caso, sobre o Bumble, que tem muito mais que notificações engraçadas como (...)
Dizem que é mais fácil escrever de coração partido. Talvez seja, mas fica tudo muito monotemático. Também se escreve bem de coração apaixonado, mas o tema é o mesmo, e com sorte, a pessoa também. E com o coração a meio depósito?
Entre um e outro, há mil e uma teorias sobre a fórmula certa, para chegar à mesma conclusão: um novo amor. Seja com amigos de amigos, festas de anos, dating apps, ou aulas de samba, tudo é válido para conhecer quem queremos conhecer melhor.
E, (...)
Se esta crónica fosse um filme, começava com algo mais ou menos assim: Do mesmo criador de “Tudo bem, tudo e contigo, também”. Mas não é. É um texto disfarçado de segunda parte de outro.
Esta crónica é sobre que disse a mim mesmo algures em novembro “amanhã escrevo o resto” e esse amanhã só demorou 10 meses a chegar. Pode ser muito, pode ser (...)