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Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Ser vegetariano e apaixonado por pizza não é fácil, especialmente depois de ler qualquer menu. Ser vegetariano é um exagero, quando vou petiscando peixe e carne aqui e ali, mas tento evitar com gosto. E é na escolha de uma pizza que esta opção alimentar mais me dificulta a dieta. Chamar a isto “dificuldade” é uma hipérbole em esteróides, mas vamos acreditar que sim.

É provável que com pizza 3x por semana. Talvez não seja uma boa opção nutricional, mas isso é o menos importante. O que realmente me inquieta, e espero encontrar apoiantes, são os ingredientes que os restaurantes escolhem para a “pizza vegetariana”.

Uma simples Margarita é vegetariana, tal como a de mil queijos. Todos os restaurantes têm várias pizzas que, sendo veggie, nunca recebem esse nome. Têm poucos ingredientes como pesto e tomate cherry ou rúcula e burrata. São simples, leves, vegetarianas. Mas quando há “pizza vegetariana”, os ingredientes são aleatórios. São o equivalente de ir a uma horta de olhos fechados.

Hoje comi uma dessas. Era um hino ao mau hálito. Além da base, tinha milho, azeitonas,  cebola e pimentos. Arrotar cebola crua temperada a pimentos não é agradável, mas é inesquecível. Talvez o único dia em que não me apeteceu beijar ninguém.

Sim, eu podia escolher outra. Havia o clássico pepperoni e uma que tinha meio talho fatiado. Cheirava a Portugal. Estas pizzas atafulhadas de ingredientes, qual delas a mais intensa. E é à português que se criam 99,9% das “pizzas vegetarianas” numa qualquer ementa.

“Orégãos, Mistura de Vegetais, Milho, Tomate e Azeitonas” é um exemplo. “Mistura de vegetais”, nem de propósito. Quais? É o pizzaiolo que mete uma venda por diversão antes de ir à horta? Ou é um cabaz da Fruta Feia que nunca se sabe bem o que traz?

Atenção: se for o cabaz acho ótima ideia. E mesmo a ideia de imaginar alguém numa horta a colher vegetais com uma venda nos olhos, ou mesmo na mercearia é uma ideia vencedora. Quem sabe não vou ser eu a abrir este restaurante temático.

Quando eu deixei de comer carne e peixe diariamente, os meus pais também achavam que me ia faltar tudo. Que ia desfalecer por falta de energia. O tacho do meu almoço eram sempre 4 doses para comer numa única refeição. Era preocupação pelo desconhecido. Era a desconstrução do conceito do que é ser vegetariano. Que não ia cair para o lado com falta de carne. Ou peixe. Ou atum.

Aqui, atum é um híbrido porque está numa lata à espera de um esparguete à pressa. É um peixe com cor de carne, com a rapidez de cozinhar carne, mas continua a ser peixe.

Voltando ao que é importante, e mesmo assim pouco, quando é que acabamos com este flagelo de despejar legumes à balda para uma pizza? Sim, estas pizzas demasiado coloridas fazem-me lembrar os meus pais. E eu adoro-os. Quase tanto como pizza. Mas se pudesse deixar de ler “brócolos, beringela e alcachofras” tudo seguido, excepto numa lista de compras, era incrível. E eu já comi pizza de banana com canela.

Mentira. Não comi. Foi a única que rejeitei. Afinal, há limites para a estupidez.

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