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Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Para quem gosta, e o que não faltou à minha volta foram pessoas dessas, é das melhores palhaçadas que há, mesmo sabendo que palhaçada nunca é dita em bom. É preciso imaginar um mundo em que “palhaçada” é uma coisa boa, tal como no mundo à parte em que me senti no meio do público.

Por muito que não seja a minha praia, e o que não falta no circo é areia, há uma atuação que eu adorava fazer. Ou escrever. Adorava ser o, quase sempre, velho do microfone que diz, em voz de circo, palavras de encorajamento para os artistas. Ou então está só a dizer ao público o que deve sentir no momento.

“Sensacional”, “maravilhoso” e “bravíssimo” foram repetidas ad eternum, mas nenhuma mexeu tanto comigo como “o espetáculo vai ter continuidade”. Continuidade amanhã? Hoje ainda? No futuro? Achei confuso e dito com linguagem antiga, tal como as atuações.

De facto, a linguagem estava em concordância com o espetáculo: datado. Mas lá está, eu não percebo nada de circo, pelo menos deste, que é em tendas e que já teve mais animais que um jardim zoológico. 

E por falar em animais, felizmente, poucos. Uns cavalos e uns camelos. Os camelos andaram à roda e a meio sentaram-se. Os cavalos também andaram à roda, não se sentaram, mas fizeram “cavalinhos”. Não, não é procriação, apenas andaram com os pés da frente no ar. Neste número, apenas um humano com os mamilos à mostra a montar um dos cavalos. Não entendi o número, nem a nudez.

Também apareceu um casal cujo truque era trocar de roupa muito rápido com um lençol à frente. Giro em 1998, mas é o mesmo que fazem os dançarinos da Taylor Swift, os anjos da Victoria Secret e os adolescentes na Bershka. Ainda assim, mais divertido que os palhaços que apitaram mais vezes que um árbitro gago no sopro.

Espaço também para as motas que aceleram naquela bola feita de ferro. Nostálgico, porque o cheiro que fica é o mesmo que sinto quando vou à aldeia: gasolina de mota antiga.

O momento alto da noite, literalmente, foram os trapezistas que estavam quase no rooftop da tenda. Número sempre giro feito de cambalhotas no ar, onde se balançam em cordas modernas e se largam até serem apanhados por um amigo.

Infelizmente para eles, falharam todas as tentativas possíveis. Talvez por cansaço e jet lag, já que havia mais nacionalidades no plantel que no aeroporto do Funchal. Felizmente para mim, a rede de segurança apanhou-os todos. E para mim que não percebo nada, a rede parecia pequena e mal colocada. Talvez nem tenham tido tempo de treinar.

Gosto de circo contemporâneo e o Cirque do Soleil deve ser inacreditável, mas este circo, da tenda, já não é para mim. Feitas as contas, todos saíram felizes. O público com um sorriso e uma noite bem passada em família. E eu com uma crónica para escrever.

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