Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Mais texto, mais foto, mais vídeo, mais tudo. Podia ser a definição de cada rede social, por mais que se venda uma ideia muito bonita do que é. Tudo aos gritos para ser visto, lido e ouvido por todos sem querer saber muito de ninguém.

Olha que giro, eu a destacar uma problemática atual e que não interessa assim tanto ao mundo para depois publicar uma crónica onde, no fundo, também quero ser ouvido. Ou melhor, lido. Não tenho dicção para tanto texto.

Nunca o ser humano leu tanto na sua história. Não é que sejam livros e literatura clássica, mas o tempo que se passa a olhar para o telemóvel é provável que seja a ler qualquer coisa. Até sem querer. No mínimo, as legendas de mais um vídeo.

No Threads, a última que conheci e que privilegia o texto, mas também tem tudo o resto e mais mensagens de voz, parece que todos queremos falar ao mesmo tempo. Aos gritos. Pelo menos na minha cabeça. Todos sem a mínima vontade de ouvir o contraponto.

Não somos todos ouvidos, mas queremos que sejam todos espelhos. De nós próprios. Que é quem realmente importa.

Pela mesma lógica, também nunca escrevemos tanto como hoje. Tudo isto são dados que apurei com esforço e dedicação, horas de trabalho, e algum senso comum. Na verdade é só perspetiva. A minha. Sou parte do problema e da solução que já vai partida.

Há quem escreva e fale com a falsa sensação de querer retorno. Há quem o faça só com o objetivo de o ter. Não pelo prazer de conversar ou debater uma ideia. Apenas com o único propósito de ter mais engajamento, mais seguidores, mais tudo. No digital.

Quem quer conversar só vê degraus para poder subir. Só assim se explica as perguntas como “primeiro o leite ou os cereais” e todas as outras, iguais na forma e apenas com palavras diferentes, para procurar o confronto de quem não quer mudar de ideias. E no fundo, nenhuma dessas questões é assim tão importante. E os cereais primeiro, claro.

Perguntas destas não têm conclusão. Quem faz a pergunta só quer ver quem tem ao seu lado. E quem pensa diferente, no fundo pensa igual. São perguntas sem crença alguma que se expõe como se fosse religião. Sempre com a vontade implícita de converter alguém ao que acreditamos. Seja Cristianismo ou ananás na pizza.

Será entretenimento? Também. Inconsequente é de certeza, mas é assim que nos deixamos viver na espuma dos dias. E o que será esta espuma? Não sei, não procurei, e também não vou procurar “fiéis” que saibam para os converter ao esquecimento de deixar uma frase ser só isso: palavras soltas que juntas parecem alguma coisa.

Esta crónica não acrescenta nada. A mim, deu-me leveza por andar a carregar este tema comigo há dias. Talvez seja o ponto de partida para um outro alguém pensar o mesmo e concluir tudo diferente. Até lá, vamos todos continuar apenas e só a encher chouriços.

8 comentários

Comentar post