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Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Um mês. Não escrevo há um mês. Parei sem querer, por falta de material físico e emocional. Achei, feito parvo, que parar até voltar a ter o meu computador era um sinal do mercúrio moderno. Apesar do retrógrado ser aquele que estraga coisas eletrónicas, tal como estragou o meu computador.

Há sensivelmente um mês, o meu computador ficou sensível e não mais ligou. Estava coberto pelo seguro e reportei o sinistro. Ou seja, tinha seguro a ativei-o. Vieram buscá-lo e levaram-no para Madrid. Se soubesse, tinha sido eu a levá-lo. Fazíamos um passeio, partilhávamos umas tapas, para compensar o tapa na cara que ele me deu. 

Um tapa emocional por se ter suicidado sem me avisar. Dizem que “só um tapinha não dói” mas eu discordo. Este doeu um bocadinho. O computador fugiu-me quando era ele a quem eu recorria para fugir.

Para mim, escrever é fugir. Fugir de mim, fugir de temas, dilemas e problemas. Fugir na forma terapêutica do termo. Há quem se vá encontrar na Indonésia. Eu encontro-me várias vezes no sofá com ele ao colo. Mas perdi a boleia e fugi de escrever.

Podia ter escrito a papel e caneta, mas não quis, com a desculpa de que o meu pensamento é muito mais rápido que a minha mão direita. Algo que raramente é um problema.

Escrever sentado num sofá, de papel e caneta, nunca me deu jeito. Sou um gajo de mesas e cadeiras. Só que fazer isso torna a coisa séria, transforma a escrita em algo com significado, algo que tem de ser bom. Minimamente. Algo que não me preocupa tanto aqui, que escrevo para me divertir, enquanto tento divertir quem me lê.

Esperei. Fui tendo ideias e apontando. Sabendo que algumas se esfumam com os dias e perdem o próprio interesse. Recusei computadores emprestados com medo que se desligassem nas minhas mãos. Fugi de escrever tanto quanto podia, mesmo sabendo que estava ansioso por poder fazê-lo outra vez.

Senti-me com um jogador da bola que se lesiona num jogo qualquer, fica um tempo fora à espera do dia em que pode voltar a tocar na bola. E eu ainda fui desenterrar computadores antigos, só para matar o bicho. Mas faltava sempre qualquer coisa.

Quem diria que só queria mesmo voltar a escrever com ele. Nele. No meu computador atual e não nos ex’s que outrora foram meus e também me fizeram muito feliz. Nem quis escrever nos meus, nem nos dos meus amigos. Aliás, esta regra dos computadores mantém-se na minha vida amorosa. Não gosto de meter o dedo no que não é meu.

Sempre achei que o momento certo para voltar a escrever, o momento certo para terminar o meu descanso forçado, seria o dia em que o computador voltasse até mim. Curiosamente, chegou no mesmo dia em viajei para o norte da Europa. Se eu ainda acreditasse em sinais podia achar que era um sinal para estar quieto.

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