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Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

A última crónica dizia “até à próxima segunda-feira” e hoje é domingo. Também me deixou indeciso entre 41 ou 43 poemas, e eu contínuo sem saber. Podia ter ido ver ao meu próprio livro, mas senti-me levemente egocêntrico. Curioso, especialmente porque estou a dedicar a segunda crónica seguida a essa tal “obra literária”.

O longo banho onde tive esta ideia luminosa, e onde também continuo a ter ideias, mas também a banhar-me, foi onde decidi que fazia sentido acabar o livro antes do fim do ano. Era outubro, início de outubro, o que, para o primeiro objetivo, teria de escrever 2 poemas por dia. Talvez fosse ambicioso. Hoje acho que foi loucura.

Como sempre faço nas ideias que quero parir, ao contrário de todas as outras que nunca vêem a luz ao fundo do túnel, conto a duas ou três pessoas muito próximas. Conto a ideia e a data com a qual me comprometo. Nenhuma destas pessoas vai cobrar. Nem eu me cobro a mim, mas é uma forma de atribuir autorresponsabilidade em concretizar.

Se este “truque” funciona? Não, mas continuo a fazê-lo como se não tivesse aprendido nada. E depois de falhar a primeira data, inventei a segunda para 3 meses depois. E falhei. Depois desisti de pensar em datas porque os meus poemas são como os beijos. Se penso muito, não dou nenhum.

Pouco a pouco fui escrevendo. Fui gostando. Fui alterando. Quem diria que me esforçava um bocadinho para concretizar um sonho que nunca tive?

Livro escrito. Editora encontrada. Livro publicado. Isto demorou mais, mas não muito mais que escrever este texto, mas vou poupar quem ainda me lê a essas chatas burocracias. Até porque o texto está a ficar desinteressante. Para mim.

Raramente tenho esta ideia peregrina de escrever uma crónica em duas ou mais partes. Em teoria, faz sentido. Mas eu continuo a errar por decidir escrevê-las sempre em dias diferentes, a sentir coisas diferentes, e já sem vontade de prolongar esta charada. Se pelo menos eu escrevesse tudo de uma só vez e depois fizesse um corte e costura para agendar as várias partes em vários dias?

Mas não. Escrevo crónicas tal como escrevo poesia. Quando começo, tenho de acabar. Seja em trinta minutos ou três horas e meia. E se por acaso não acabo, apago. É uma espécie de teste do algodão. Se não me interessou nem a mim escrever, quem é que vai querer ler?

De facto, ter já vendido mais de 150 livros é bizarro. E 99% deles estão com pessoas que conheço. Ou que me conhecem a mim. E mesmo assim é exagerado. Cada livro vendido é exagerado. Cada crónica lida é exagero. Não é que não seja bom, mas é confuso.

Soubesse eu escrever sobre sentimentos e escrevia sobre este. Até lá, resta-me o orgulho de gostar de muito do que escrevo, aqui e no livro.