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Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Gosto de ver fotos e vídeos de pessoas que andam atrás do mundo como se fosse de um comboio. Gosto de ver, mas só por vontade própria. Enfiarem-me 396 fotos de um fim-de-semana “super giro” continua a ser incómodo. Principalmente quando o destino tem pouco de encantador para me impressionar em fotos. Tal como, sei lá, um qualquer.

Se eu quiser muito ver um sítio vou ao Google. Ou, na loucura, compro uma viagem para lá. Menos para São Miguel (Açores). Só no ano passado vi demasiadas fotos iguais tiradas nos mesmos sítios.

“Ah, mas ao vivo é muito diferente”. Verdade, mas como é que é aquela frase de só termos uma oportunidade para causar uma boa primeira impressão? Pois, a Lagoa das Cidades já me causou muito mais que 7 impressões. Contudo, é um mau exemplo porque quero lá ir na mesma.

Continuo a dizer que gosto de ver fotos e vídeos de pessoas que vão a sítios. Mesmo que me roube a surpresa, deixa-me confortavelmente descansado em saber que, se não for lá, já sei como é. E é capaz de ter sido assim que começou o Instagram. Alguém sem tempo de ir onde queria, ou farto de ser obrigado a ver fotos de férias de amigos sem o menor sentido estético. Vivam as influencers que têm muito jeitinho.

Vejo com gosto pessoas que correm de cidade em cidade e contam países. Madrid é Espanha, Paris é França e Roma é Itália. Bali é Bali e Nova Iorque é New York. Como se uma cidade fosse o país inteiro, mas outras não. Contam países como quem conta imperiais, a meio da contagem já vai tudo torto.

Talvez seja uma competição para a qual não fui convidado. Ando feito parvo a viajar várias vezes para o mesmo país para o ver todo. Já perdi a conta às cidades e vilas espanholas, mas se me quiser gabar, só conta por um?

Enfim, continuo a gostar de quem tem a energia e o foco para chegar ao destino a pensar no próximo. A pressa é muita. Eu percebo. Antes que acabem países ou apareçam uns novos. Ou que o mundo acabe. Todas as razões são boas. Aplaudo o poder decisão de escolher um só quando se deseja o mundo inteiro. É como preferir ser pontualmente monogâmico em vez de deixar todas as relações abertas.

Deixo o meu obrigado a quem já me levou a sítios que eu nunca quis ir. Alguns ainda quero, não sei quando nem como, mas obrigado a quem me já me deixou espreitar como se eu também lá estivesse. Talvez seja a única forma de viajar sem apanhar um escaldão.

Às vezes, acho que o excesso de ambição de quem quer pôr um pé nos países todos me roubou a energia de também querer ir. Eu também gosto de viajar. Muito. Mas por muito que pense em destinos exóticos, remotos ou populares, distraio-me sempre em querer ir onde me vão buscar. Para quê viajar o mundo se já sei onde mora o meu?

Tenho o coração partido e espalhado pelos países onde tenho amor. Conhecer sítios novos é incrível, mergulhar noutros mares também. Experimentar a gastronomia de tascas por aí é do caraças e perder-me onde nada conheço também. Mas descobrir as saudades que tinha dentro de um abraço de quem vive longe aquece-me muito mais que qualquer aquecimento global.

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