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Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Escrever com e sobre défice de atenção é um prazer que me distrai. Escrevo isto sentado no sofá, depois de duas horas com o portátil ao colo, sentado a “ver televisão”. Normalmente, começo a escrever quando me dói o cóccix. Só para mudar o rabo de sítio.

Nunca na minha vida tinha escrito cóccix. Tive de ir ao priberam só para confirmar. É uma palavra bonita na boca e esquisita aqui. Já esta frase, é esquisita na boca e aqui. Continuando, escrever uma crónica e “ir só ver uma coisa” é um perigo. Podia ser a ponte para mais duas horas de nada. 

Como é que eu, uma pessoa com défice de atenção se consegue concentrar para escrever uma página disto? Hoje, escrevo com o The Voice à frente, mas normalmente são jogos de futebol à tarde e música à noite. Música que vem de um canal de videocliples 24 horas por dia. Claramente, sou dependente da televisão.

Há pessoas que já vivem sem televisão. Eu não. Preciso de ter uma que funcione para poder escrever à frente dela. É como usar um telemóvel para tirar fotos. Não é bem para isso que foram inventados, mas dá muito jeito que sejam assim. Espera, isto era sobre défice de atenção. Já me distraí outra vez. 

Sempre fui um moço distraído. Aliás, sempre gostei de dizer que era um moço. É uma palavra mais bonita que rapaz. Já sobre ser distraído, é uma qualidade que me reconhecem. Ou será defeito? É qualidade. E “ter défice de atenção” é o novo “ele é distraído”, não é?

Andamos sempre à procura de palavras bonitas para coisas banais. Tal como cóccix. Podia ser anca, mas cóccix tem um savoir-faire linguístico diferente. E não, também não sabia escrever estas palavras em francês. Nem sei se está correto, mas soa bem e fica bonito. E não é só isso que importa?

As perguntas são retóricas. Não preciso de saber a resposta, mas também não as nego. Nem consigo estar atento o tempo suficiente para ficar esclarecido. Isto de ser distraído é uma chatice tão divertida.

Gostava de dar exemplos de onde mais me manifesto como a alma distraída que sou, mas tenho poucos exemplos. Que me lembre. Mas estar na paragem de autocarro à espera de um, e deixá-lo passar porque passou um milhafre é um bom exemplo disso.

Para mim, milhafre é manteiga. Mas também sei que é um pássaro. Se eu sei identificar pássaros à distância? Só pombos e gaivotas, tudo o resto são passarinhos e passarinhas. Por falar em passarinhas… é melhor não ir por aí.

Se esta crónica tem algum sentido? Talvez não. É apenas a representação perfeita do que é viver dentro da cabeça de uma pessoa distraída. Ou melhor, com défice de atenção. É pensar em tudo e em nada. É ter concentração no meio da confusão, porque nada me distrai mais que o silêncio. E o cóccix. O cóccix também me distrai.

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