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Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

22 Set, 2025

Amor nas despedidas

Há quem ame o trabalho e quem ame no trabalho. Provavelmente, ambos na secretária, mas não é só nisto que o trabalho e as relações amorosas são parecidas. Isto foi só uma pequena introdução por onde esses mundos se misturam. Literalmente.

“Enviei um currículo” é só uma forma formal de dizer que se quer engatar profissionalmente. Não enquanto gigolô, nem engatar novos colegas. Aqui, é um engate metafísico, é engatar a firma, seduzi-la aos nossos encantos. É claro que quem toma as decisões são pessoas, e talvez seja aqui o nosso pináculo do engate.

Engatamos às cegas, pois nem sempre sabemos quem é a primeira pessoa deste carrossel do engate. Provavelmente, aqui não há dúvidas, profissionalmente falando somos todos poliamorosos, preparados para a fluidez dos recursos humanos.

Se a contratação é um engate bonito, o que dizer de um despedimento?

Bem, há várias formas de o fazer e todas elas são simplificações do que acontece num namoro. A firma pode querer acabar a relação sem aviso. Pode ser a seco, sem um beijinho nem nada, mas se for com indemnização é o equivalente à “última dança”, ao “último tango”. Sexo. Estava a ser pudico porque quando isto acontece não há grande criatividade para metáforas.

Em qualquer um dos cenários, é preciso levar de volta a casa o que já andava a ser casa noutro lado. E os colegas que ficam para trás são a família que já tratávamos como nossa. Sejam empresas ou relações, também o número é questionável. Há quem vá elogiar e quem ache o contrário.  É tudo igual, menos uma coisa.

Quando acaba, o natural é procurar imediatamente um novo engate profissional. Enquanto que no amor, há um período de adaptação sentimental que pode ou não acontecer. Até porque é esse engate de firmas que nos vai garantir fôlego financeiro para esbanjar na outra.

São aprendizagens. Enquanto a firma é obrigada a ensinar, aprender nas relações é um dado adquirido. Quando a firma não forma, paga. Já nas relações, mesmo que não se aprenda nada, é uma lição de vida.

Já eu aprendi que esta crónica merecia mais de mim, mas estar a escrever num computador que não é meu é esquisito. Sinto falta de intimidade. Tenho medo de tocar no sítio errado. Tal como começar num trabalho novo. Tal como beijar alguém pela primeira vez.