15 dias, 15 Sonetos A Gosto
Sou copywriter a tempo inteiro, criativo nos tempos livres. É por isso que as férias, para mim, são um conceito diferente. Não há relaxamento puro quando a mente idiota não se cansa e o descanso só a ativa ainda mais. Já fui de férias com o objetivo de “não fazer mesmo nada” e acabei a coçar-me e a regressar com mais ideias que tempo para as fazer. A ressacar pela criatividade.
Como se fosse um operário fabril ou um educador de infância, faço férias em agosto de forma quase obrigatória. E foi nas semanas antes que me lembrei, para mal dos meus pecados, que podia escrever um poema por dia, visto que iria estar no ponto do mapa mundi que mais me inspira. E escrever mapa mundi também me inspira muito.
Um poema por dia? Parece-me bem, mas um poema sem rumo não foi suficiente. Gosto de sonetos, divertem-me. E de forma quase automática, o nome “Sonetos A Gosto” saltou-me da boca para fora. Estava o desafio traçado.
Viver a ilha com um bloco de notas e uma caneta - e um smartphone só para o poder partilhar. O desafio foi ganhando dimensão ao perceber que tinha praticamente os mesmos estímulos e a mesma rotina, dia após dia, durante 15 dias. Ah, e desta vez não valia ter o dicionário de rimas à mão. Só para ver como está a minha flexibilidade linguística.
Foi giro perceber a minha tendência, as palavras que sinto mais próximas e rápidas de poder rimar. Evitando as que rimam com “amar” e “João” para não ser preguiçoso. Ainda assim, não me impediu de os escrever quase todos a correr contra a meia-noite. Alguns até depois da meia-noite, porque o dia só acaba quando vou dormir.
E também tive uns dias em que só finalizei e publiquei durante o pequeno-almoço da manhã seguinte. Mas não começava a aproveitar o dia sem tirar “isto” da frente.
Há versos muito bonitos, mas a maioria não me enche. São escritos de coração mesmo que pareçam vazios. São versos intensos que mereciam tempo, carinho e cuidado para poderem ser mais. Foi nisso que escrever diariamente me mudou, querer mais nas pequenas coisas que escrevo pelo prazer que me dá. Não é pela partilha, é pela escrita.
Contudo, esta crónica, tal como alguns sonetos, está a ser escrita a despachar porque o mais importante é deixar aqui as “provas do crime”.
Sonetos A Gosto #01, Sonetos A Gosto #02, e por aí em diante até ao Sonetos A Gosto #15. Bom proveito!