Músicas que me salvam #01
Nada disto é original, é inspiração - porque para ser plágio falta qualidade - de uma rúbrica que que vi na BBC Radio 1 com o Bon Iver. Por me faltar talento para tudo e mais alguma coisa, esta é mais uma entrevista que não me vai acontecer. Mas gostei tanto de a trazer para mim, que faço desta crónica o meu espelho musical.
Não vou pensar muito e vou ser honesto ao meu instinto, às músicas que me assaltaram logo depois de ver o vídeo original. E por muito que hoje não me apetecesse escrever, estes bocadinhos também me salvam um pedaço.
A primeira foi demasiado fácil. Gravity, do John Mayer, foi a minha música mais ouvida em tantos anos sem Spotify Wrapped. Já sorri, já chorei, já me toquei. No sentido em que voltei a mim próprio quando me começo a desviar. Parece esotérico. Talvez seja. É a música, é a letra e cada palavra, é o solo de guitarra. É tudo, e tudo o que eu possa dizer sobre o que esta música fez e faz por mim será, para sempre, curto.
De seguida, uma que me apanhou de surpresa e que só procura quando o meu depósito criativo, a minha vontade de o ser, ameaçam entrar em extinção. Dá-me paz no meio de desespero, serenidade no meio da inquietude.
E só de pensar que a descobri numa série aleatória - The Politician, um musical da Netflix - fico com a esperança renovada que é a minha maior esperança mora eternamente na minha espontaneidade. Vienna, cantada pelo Ben Platt. É um cover, eu sei, mas a homenagem é para quem me apresentou a música.
Tal como acontece com a Sara Bareilles, de quem sou muito fã e das músicas pelas quais a conheci. Esta não é uma delas, mesmo sendo um original, também é de um musical. Um que nunca vi, nem sei do que fala, mas a música deitou-me ao chão quando já estava no fundo. É aquela sofrência que solta a lágrima que faltava para poder limpar a cara.
She used to be mine, encontrada sem querer em noites que me perco em atuações ao vivo pelo YouTube fora. Talvez seja eu o aleatório, talvez seja o algoritmo que me conhece demasiado bem. Seja como for, valeu a pena. Tal como vale cada vez que lá volto.
Curiosamente, as músicas que me salvam são meio depressivas, um tanto ou quanto emocionalmente devastadoras. Mas é disto que a minha alma se alimenta para voltar a sorrir. Não sei explicar, até porque nunca pensei muito nisso, mas se há músicas que ficam agarradas a um só momento, uma só pessoa, há outras que atravessam uma vida.
Talvez não tenha sido a melhor ideia ouvi-las todas de seguida enquanto escrevo isto. Também é a garantia de que amanhã acordo mais feliz, mais eu. São as músicas que me fazem pegar de empurrão quando me deixo ir abaixo. E tal como na condução, é raro.
Voltarei aqui. Até porque o original fala em 10 músicas e eu fiquei na terceira. É sempre bom voltar à música que mais no emociona. Seja para que lado for.