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Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

Crónicas no Bar da Praia

Às segundas, nem sempre sobre bares ou praias.

07 Dez, 2025

Mudar de bar

As crónicas vão continuar. Noutro lugar. Aqui. Obrigado. A quem lê, a quem leu e quer continuar a ler. Obrigado. A quem comenta muito. A quem comenta pouco. A quem comenta ponto. Menção honrosa dos comentários para quem me fez sempre sentir acompanhado. Vaguendo, imsilva, Maribel Maia, s o s, leitor improvável, Beatriz Costa, Sandra, Maria Araújo, Maria F., Desconhecido, Anónimo, e outros tantos (...)
Fala-se pouco de um tema tão silencioso. Sobre a inconveniência do que fazer quando uma se faz à pista. Evitar é opção, mas nem sempre está disponível. Aliás, quase nunca. Evitar pode aumentar o risco à próxima que se aproxime. (É provável que esgote o meu stock de metáforas nesta crónica.) Seja em família ou no escritório, se há bufa a caminho, também o dono dela se deve pôr a andar para um lugar seguro. Finge uma ida à casa de banho ou vai à rua. Se for tímido, (...)
Gosto tanto de escrever que às vezes inscrevo-me em cursos de escrita só para reservar tempo para escrever outras coisas. Talvez seja só desorganização minha, que não gerir o tempo para fazer uma das coisas que mais gosto. Seja qual for o valor, a alegria que me traz é impagável. Quer dizer, paguei para ser feliz. Agora sim, percebo outras atividades. Podia escrever uma crónica inteira sobre isto, mas isso seria adulto. Um adulto a escrever para adulto ler. Hoje não há (...)
17 Nov, 2025

Nem tudo é doença

Podia ser o caso de mais uma expressão popular que envelheceu mal, mas não. Aqui, quem evoluiu mal fomos nós, pessoas demasiado humanas e vulneráveis, sem espaço para assumir culpas de nada, prontas a culpar tudo e todos, até nas nas coisas mais mundanas possíveis. Já não há enganos nem distrações, só doenças. A dislexia, a ansiedade, o défice de atenção e a transtorno obsessivo-compulsivo nunca tiveram tantos fãs. Nem tantos diagnósticos. E ainda bem. São doenças (...)
12 Nov, 2025

O meu Pai

Romantizei a morte do meu Pai, com ele, quando vive com muito mais saúde que eu. Romantizei a ideia de um funeral que fosse uma festa tão boa como a vida dele. Romantizo a ideia de que vai ficar tudo tranquilamente diferente, mas não vai. Eu sei lá o que na verdade nem quero saber. Romantizo a morte do meu Pai para disfarçar o pânico que vem com ela, mas romantizo a ideia por ser a ordem natural de uma vida em que a minha mãe é muito mais nova. Romantizo por ser uma de amor. O meu (...)
Não conheço ninguém que não saia de casa sem um toque de perfume, água de colónia, creme hidratante ou protetor solar. Ou todos ao mesmo tempo. Recriamos o cheiro que queremos ter, mas será que sabemos mesmo a que cheiramos? À partida, não. Não consigo cheirar o meu pescoço. Nem o peito, mas enchi-me de coragem para viver uma semana sem qualquer aroma espalhado na minha pele. Só usei gel de banho. Há mínimos. Estes são os meus. As coisas que eu não faço em prol da ciência. (...)
Airbus tem uma grandiosidade que se despenha assim que se traduz. Air de ar e bus de autocarro, que é como quem diz “autocarro do ar”. E, feliz e infelizmente, os comportamentos são os mesmos. Só se distinguem por ser mais difícil andar à pica num que noutro. Andar de avião já foi um luxo que eu nunca conheci. Onde se bebia whisky e se fumava charuto. Hoje, é só mais um transporte para destinos mais longínquos, mas com todas as semelhanças dos mais convencionais transportes (...)
Um mês. Não escrevo há um mês. Parei sem querer, por falta de material físico e emocional. Achei, feito parvo, que parar até voltar a ter o meu computador era um sinal do mercúrio moderno. Apesar do retrógrado ser aquele que estraga coisas eletrónicas, tal como estragou o meu computador. Há sensivelmente um mês, o meu computador ficou sensível e não mais ligou. Estava coberto pelo seguro e reportei o sinistro. Ou seja, tinha seguro a ativei-o. Vieram buscá-lo e levaram-no (...)
22 Set, 2025

Amor nas despedidas

Há quem ame o trabalho e quem ame no trabalho. Provavelmente, ambos na secretária, mas não é só nisto que o trabalho e as relações amorosas são parecidas. Isto foi só uma pequena introdução por onde esses mundos se misturam. Literalmente. “Enviei um currículo” é só uma forma formal de dizer que se quer engatar profissionalmente. Não enquanto gigolô, nem engatar novos colegas. Aqui, é um engate metafísico, é engatar a firma, seduzi-la aos nossos encantos. É claro (...)
As maiúsculas na palavra “arte” não têm duplo significado. É apenas uma referência à peça que vi no Teatro Maria Matos, que se escreve assim. Acho eu. Pelo menos no cartaz as letras são todas enormes. E é sobre amizade, das antigas quase sem prazo de validade. Mesmo quando já nem se entende o que as mantém vivas. O título não tem duplo significado, mas Arte e Amizade são praticamente a mesma coisa. Nascem de uma inspiração, mas só existem com consistência e (...)